Tiago Teles, entrevista e podcast: “Os vinhos naturais promovem uma diversidade maior”

Tiago Teles tem formação em engenharia eletrotécnica e de computadores.

Começou no vinho como curioso, depois foi crítico e chegou a publicar guias. Confessa nunca se ter sentido particularmente confortável nesse papel, ao contrário do que viria a acontecer quando, com o apoio do pai, se lançou na aventura de produzir vinho.

Optou por elaborar vinhos de intervenção minimalista, sendo dos mais reconhecidos percursores do chamado movimento de vinhos naturais em Portugal.

Elabora exemplares no Minho, na Bairrada e em Lisboa, e tem no projeto Cozs, que partilha com António Marques da Cruz (Quinta da Serradinha), um dos caminhos com maior potencial.

A seguir, alguns destaques de uma conversa que poderá ouvir, descarregar e partilhar na íntegra em formato podcast.

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“Para fazer vinhos naturais é preciso um conhecimento grande das uvas que nos chegam à adega, da vinha, dos equilíbrios que conseguimos alcançar naquele local. A partir daí estudamos, viajamos, vemos outras pessoas fazer, tentamos garantir todas as condições necessárias para que não haja problemas. É uma enologia preventiva, que tem por oposição uma enologia corretiva, que se generalizou na nossa indústria”.

“Portugal cresceu um bocadinho na fobia do tecnicamente perfeito”. Nos vinhos, essa forma de estar na vida acabou por ser um pouco transposta. Respeito, mas acho que se perdeu um pouco o espaço de liberdade de criação que nalguns países se manteve”.

“Os vinhos naturais promovem uma diversidade maior que os vinhos ditos convencionais”.

“Procuro vinhos em que se sinta uma certa energia, uma certa vitalidade e autenticidade”.

“Pode ser mais interessante do ponto de vista de marketing fazer os vinhos em que acreditamos, fazer um vinho que tenha a identidade do local e depois termos o trabalho de encontrar o nicho, os consumidores”.

“Não tenho preconceito nenhum em beber um vinho considerado convencional”.

_fotos cedidas pelo produtor Tiago Teles