A história de Paulo Cruz daria, certamente, um bom filme.
Aquilo que poderia ser comparado a uma livraria é, afinal, uma garrafeira. Começou com o bisavô, enquanto mercearia, mas a evolução foi transformando o negócio até se tornar num espaço fantástico, exclusivamente dedicado ao Vinho do Porto.
O Bar do Binho – isso mesmo, com dois “Bês” – está no centro de Sintra e quem o criou, em 1997, foi precisamente o mesmo autor do exclusivo “Porto Extravaganza”.

 

Paulo cruz, sem filtros, faz um auto-retrato das memórias da família aos tempos em que decidiu reinventar o negócio, hoje considerado uma espécie de local de culto para os amantes de vinho do porto. entrevista para ouvir na íntegra em formato podcast.

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Paulo Cruz, proprietário Bar do Binho:

“Sempre joguei por cima. Sou apontado por talvez ter preços muitos elevados na minha garrafeira mas o que é certo é que sempre defendi a qualidade, sempre categorias especiais, nunca fui adepto de tawnies e whites. Não estou a dizer que sejam desprestigiantes para o Vinho do Porto, mas finalmente começa a haver a ideia que o Vinho do Porto tem mais para dar. Tem vinhos fantásticos, de grande qualidade. Nós temos que aproveitar essa situação, não temos que ter medo ou vergonha de nada porque temos vinhos fabulosos. O Vinho do Porto é possivelmente o melhor generoso do mundo”.

 

“Eu sou o alfarrabista do Vinho do Porto. Já me chamaram o alfarrabista porque não somos os livros velhos mas somos os vinhos velhos. Faço questão de ter uma grande coleção de Vinho do Porto”.

 

 

“Havia que apostar mais nas categorias especiais de Vinho do Porto. As provas que são feitas no Douro não me parecem ser muito adequadas porque as pessoas provam um Tawny, um Ruby e um (Tawny) 10 Anos. Agora aparecem alguns 20 e 30 Anos, mas não em muitos lados. Era por aí que deveríamos começar, daí para cima. Não há que ter medo em mostrar esses vinhos. São caros? Tudo bem, é um investimento, é uma mais-valia, nós temos que ir por aí, mostrar o potencial do Vinho do Porto, que é muito mais do que um vinho generoso”.

“Quando tenho um evento observo as pessoas.A minha maneira de estar contente é observá-las e quando o faço fico pasmado. Por vezes estamos a fazer uma prova, acaba essa prova e as pessoas ficam lá, mais meia-hora ou até mesmo uma hora, na conversa, a tirar fotografias”.

 

 

 

“Não sou um vendedor. Sou uma pessoa que gosta de mostrar o que tem, o potencial que estes vinhos têm”.

“Acho que nunca vou ficar farto disto. Há sempre alguma coisa para provar, para ver, sempre algo que nos move”.

_fotos cedidas por Paulo Cruz