Com formação de base em Engenharia Alimentar, Bento Amaral é um confesso apaixonado pela arte de combinar vinho e gastronomia. Admira, nesse particular, as harmonizações por contraste, considerando-as mais desafiantes.

O diretor de serviços técnicos do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e Porto é enólogo e um dos mais experientes provadores portugueses, tendo liderado durante vários anos a exigente câmara de provadores daquele instituto.

Nesta conversa, disponível na íntegra em formato Podcast, fica-se a conhecer melhor os bastidores da prova e avaliação de vinhos no IVDP, escutam-se conceitos-chave sobre harmonizações enogastronómicas e também se fala do

mar.

 

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Bento Amaral foi campeão do mundo de vela adaptada em 2005 e representou Portugal nos Jogos Paraolímpicos de 2008 .

Eis alguns destaques:

“(Na Câmara de Provadores do IVDP) temos um controlo dos provadores, não só dos vinhos. Dez por cento das amostras, pelo menos, são repetições para verificar se os provadores são coerentes com eles próprios, com o resto do juri e se são capazes de discriminar corretamente os vinhos, senão são excluídos do painel”.

“Os Vintage são a categoria onde há mais reprovações (pela Câmara de Provadores do IVDP. Em 2002 (sobre os Vintage 2000) e em 2017 (sobre os Vintage 2015) tivemos taxas de reprovação que chegaram aos 50%. Isto não significa que 50% dos produtores tenham os vinhos reprovados; significa que 50% das amostras foram reprovadas”.

“O mais importante nos Vintage é o meio palato, um equilíbrio entre o corpo ou o volume do vinho e o tanino, que tem que ser adstringente, obviamente, naquela altura”.

“Francamente, senti-me um bocado desconcertado por 2015 não ter sido declarado (ano clássico de Vintage), mas depois vi 2016 e realmente são mais potentes, mais robustos, mais tensos na boca. No nariz não se mostram tão bonitos, tão exuberantes como 2015 mas, por outro lado, demonstram outro potencial de envelhecimento”.

“A imagem de Portugal pode ajudar a promover o Vinho do Porto assim como o Vinho do Porto pode ajudar a promover Portugal”.

 

“Tantas vezes falamos de acidez em Portugal porque sabemos que se nos faltar alguma coisa será acidez, não tanino nem álcool”.

“Muitas vezes deixamos-nos seguir demais pela opinião dos especialistas. Os especialistas podem ajudar-nos a formar a nossa própria opinião. Se fossemos a um restaurante, provavelmente cada um de nós escolheria um prato diferente e estava seguro dessa escolha. Devem ter também segurança nas escolhas do vinho, desde que tenham conhecimento. É uma área (harmonizações) muito, muito pessoal”.

“O mar é um amigo que me deu mais do que me tirou”.

_fotos cedidas pelo IVDP