Pedro Ribeiro é dos mais talentosos enólogos da nova geração, que nos últimos anos também se tornou produtor independente.

Natural do Porto, estudou enologia na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, fez uma vindima na famosa Quinta do Noval, passou pela Austrália e acabou por se fixar… no Alentejo.

Durante nove anos foi o braço direito (e esquerdo) de Luís Duarte na Herdade dos Grous, em Albernôa, até se mudar de alma e coração, literalmente, para a Herdade do Rocim. Na Vidigueira, ao lado da mulher, Catarina Vieira, elabora vinhos que têm apresentado uma consistência notável e foi também por aquelas bandas que, mais recentemente, iniciou um projeto pessoal, Espaço Rural, conhecido pelos vinhos Bojador, cujo exemplar mais notável é o vinho de talha. Há ainda, na região de Lisboa, os vinhos Vale da Mata, novamente ao lado de Catarina.

 

 

A seguir, alguns dos destaques de uma conversa que pode ouvir na íntegra em formato podcast.

 

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Pedro Ribeiro, enólogo e produtor de vinhos:

“Foi a parte criativa que me fez ligar à enologia. A agricultura pura e dura, a imagem mais romântica que temos da agricultura, não me ia satisfazer. Por isso, acho que me encaixo bem na definição de enólogo criativo”.

 

 

“O mercado está à procura deste tipo de vinhos: com carácter, autenticidade, com menos ´máscaras´ do que tinham há 10 ou 15 anos”.

 

“Quando levo ao nariz um vinho mineral para mim ele é um vinho mineral. Existem variadíssimos exemplos destes vinhos, de carácter mais mineral, no mundo. Em Portugal, felizmente os produtores e, sobretudo, os enólogos estão a procurar mais este perfil de vinhos em detrimento do excesso de fruta de finais dos anos 90, inícios de 2000. É um percurso, o caminho faz-se caminhando, mas para mim a mineralidade existe – não é o descritor mais fácil de explicar, mas que existe, existe”.

 

“ O que poderia ter sido um problema para o Alentejo – o excesso de tecnologia, o Novo Mundo dentro do Velho Mundo de que era e é acusado o Alentejo – vai transformar-se numa vantagem competitiva para a região. Ou seja, esse profissionalismo que foi depositado na construção das adegas, no entendimento das vinificações mais eficazes para se atingir um objetivo, estão agora a voltar-se mais para a viticultura e também para a enologia, para produzir vinhos de um perfil mais adaptado ao mercado e que, de alguma forma, respeitam mais o terroir , estão mais identificados com o terroir, não são tão tecnológicos, não estão tão massificados”.

“O que acho interessante nos vinhos de talha foi o terem aberto as portas para os enólogos olharem para uma nova forma de envelhecer vinhos –não é uma nova forma, é uma velha forma mas muito adaptável ao perfil de vinhos moderno. O envelhecimento em barro, em argila, até mesmo em cimento. É nesse sentido que acho tão interessante os vinhos de talha”.

 

 

 

“Os verdadeiros vinhos de talha têm tudo para correr mal. Não há controlo de temperatura, fazemos naturalmente sem leveduras selecionadas para tentar ter um reflexo maior do nosso terroir, em contacto com as massas até ao Dia de S. Martinho, ou seja, temos todas as condições para que o vinho se desenvolva da pior forma possível ”.

_fotos cedidas pelo produtor e enólogo Pedro Ribeiro