1 Minuto: Depois de aberta a garrafa…

Abri a garrafa. E agora?

Se é verdade que há vinhos que parecem desaparecer num ápice, não menos verdade é que há garrafas que, depois de abertas, terão que esperar por mais do que um momento para serem consumidas na totalidade.

Como preservar o vinho?

Recorra sempre à ajuda do frigorífico. Vede muito bem a garrafa e deixe-a lá ficar até ao próximo momento.

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No caso de vinhos entrada de gama, mais do que 24 horas sem terminar a garrafa começa a ser arriscado se quiser manter intactas as características principais do vinho – não só os aromas como também a estrutura.

Se estivermos a falar de um vinho tinto bem estruturado ou mesmo de um branco com alguma pujança, o prazo poderá estender-se até às 72 horas. Tudo o que ultrapasse esse prazo torna-se arriscado.

No caso de fortificados, como o Vinho do Porto, se for um LBV ou um Vintage, por exemplo, tente consumir o vinho até às tais 72 horas. Se estivermos a falar de um Tawny ou de alguns Madeira, cujo envelhecimento passou por contacto prolongado e contínuo com o oxigénio, tem uns longos seis meses sem preocupações.

O segredo está precisamente aí, no oxigénio.

Em contacto com o oxigénio, o vinho perde uma boa parte das componentes aromáticas e estruturais e facilmente pode oxidar. A exceção são os vinhos que, desde a fase inicial, têm uma sobreexposição ao oxigénio, tornando-o um aliado de evolução, a par do “spirit”, a aguardente que lhe transmite músculo. São vinhos de aromas terciários – sobretudo frutos secos – que já evoluíram tudo o que tinham a evoluir.

Atualmente existem vários equipamentos que ajudam a retirar o oxigénio da garrafa, depois de aberta, procurando com isso prolongar a vida útil do vinho. São importantes aliados, sem dúvida, mas qualquer vinho começa a sofrer transformações a partir do quinto dia.

O grande conselho só pode mesmo ser um: se não consegue terminar a garrafa no tal prazo útil de vida do vinho, respire fundo e convide o vizinho ou o chato do chefe. Acaba a garrafa… e certamente ganhará informação privilegiada.

texto, voz: José João Santos