António Madeira, entrevista e podcast: “Um vinho natural é a expressão do local”

Nasceu na França, embora as raízes familiares sejam do interior Centro do país. As férias de verão, como tantos emigrantes praticam anualmente, foram-lhe marcando o álbum das memórias, a tal ponto que há um ano decidiu mudar de vida por completo.

António Madeira trocou Paris por Seia para produzir vinho. Deixou a engenharia industrial e dedicou-se a reabilitar vinhas velhas no sopé da Serra da Estrela, atividade que iniciou em 2010 mas que agora lhe ocupa o tempo todo, após anos de idas e regressos.

É um dos novos protagonistas do vinho português, por mérito próprio, e também um dos nomes do chamado movimento do vinho “natural”.

Ficam alguns destaques de uma conversa que pode ouvir na íntegra em formaTo podcast.

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António Madeira, produtor de vinho:

“Não tinha vinhas, não tinha adega. Criei tudo do zero. Costumo dizer que o capital que tinha eram ideias”.

 

 

 

“As vinhas que cultivo são vinhas em que sinto uma emoção, em que sinto que estou perante um museu vivo, um testemunho do passado, da cultura portuguesa”.

“Quando as pessoas provam um vinho meu vão reencontrar os aromas da paisagem: o granito, as árvores, a resina dos pinheiros, as flores, as ervas aromáticas. A ideia é encontrar no copo todos esses elementos que temos na paisagem”.

“Em Paris há mais garrafeiras apenas dedicadas a vinhos naturais do que todas as garrafeiras, no sentido geral, de Portugal inteiro. São como cogumelos. E não é só em Paris, é em Nova Iorque, em Londres, em Berlim, em Tóquio…”.

“Ao início é um pouco complicado conseguir explicar, fazer passar a mensagem e às vezes temos até que fazer frente a certas hostilidades que vêm dos poderes estabelecidos, é um pouco uma ameaça. Mas, de uma maneira global, vejo com entusiasmo o movimento do vinho natural em Portugal”.

 

 

“Pode ser uma mais-valia para o país ser conhecido como uma das referências em vinhos naturais”.

texto: José João Santos / fotos cedidas pelo produtor António Madeira